quarta-feira, 17 de abril de 2013

Machismo mata!

O machismo me mata toda vez que minha saia curta, minha calça justa e meu batom vermelho me transformam num baquete para porcos.

O machismo me mata toda vez que não posso andar sozinha. Nem de noite, nem de dia.

O machismo me mata quando um país miscigenado e multicultural não me permite ser gorda, encaracolada, negra ou lésbica

O machismo me mata a cada Feliciano, Bolsonaro e Ali Kamel que surgem com seus discípulos

O machismo me mata toda vez que sou vadia só porque sou livre

O machismo me mata toda vez que me calo há uma agressão.

O machismo me mata quando eu não posso tomar cerveja, falar palavrão ou dirigir caminhão.

O machismo me mata toda vez que o meu salário é sempre menor do que o deles.

O machismo me mata quando não tenho direito ao meu próprio corpo.

O machismo me mata quando eles preferem me ver morrer do que abortar segura.



O machismo me mata quando alguém se acha no direito de espancar uma prostituta.

O machismo me mata porque a saúde não é pra mim, a educação tão pouco e a segurança menos ainda.

O machismo me incomoda e me sufoca. 

O machismo me mata, pouco a pouco, todos os dias. 

O machismo me mata e como me mata e é por isso e por muito mais que da luta não me retiro.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Nada tranquiliza


Nem fazer yoga, nem gargalhar com cócegas, nem ser o bilionário da mega
Nem anestesia geral, nem ter a paciência dos monges do Nepal, nem encontrar a cura do mal
Nem a barriga cheia, heroína na veia ou extinção da agonia.

Nada tranquiliza uma consciência pesada, cheia de mágoas e com remorso de dor.